Para uma semana exaustiva de trabalho, um fim de semana de descanso. Para aquele jantar exagerado, uma corridinha que compense no dia seguinte. E assim tentamos nos equilibrar nessa corda bamba chamada vida.

(Claro, meus exemplos são frugais, cotidianos. Mas não seria exatamente esse o caminho da felicidade? A leveza?)

Retomemos a ideia…

Seguir pelo caminho do meio exige ponderação, reflexão e, principalmente, motivo. Um objetivo a ser alcançado. A vontade de conquistar algo ou alguém. A vontade de se (re)conhecer. De sair de um ponto e chegar a outro.

Dois elementos passam, então, a ser ingredientes fundamentais nessa receita: questionar-se, buscar em viagens dentro de si as respostas para as dúvidas que te afligem; e, posteriormente, a tomada de atitude, transformar em ação o apanhado de informações que você conseguiu coletar.

Nessa sequência, repare, a vida não permite inércia. Seguir pelo caminho do meio, mesmo com suas inúmeras encruzilhadas (acredite, elas existem), não pode ser argumento para a indecisão, para estacionar-se na dor e fechar os olhos para ela.

Dores são mais resistentes que diamantes; traumas se decompõem mais lentamente que plástico. Não lidar com o que te machuca é, em bom português, tapar o sol com a peneira. Um espinho no pé não te impede de caminhar, mas quantos você já tem acumulado?

É claro: todo processo real de cura passa, inevitavelmente, por novas dores. É o remédio ardido no joelho ralado. E a fonte em que podemos buscar disposição para enfrentá-las não é outra senão a certeza de que, assim, a cicatrização será mais rápida, o problema será – de fato – resolvido.

Não compre anestesias para alma! Até porque elas não existem. Todas as fórmulas que o ser humano encontrou até hoje, coisas que podemos chamar de vícios, são meras válvulas de escape, formas de abrir as comportas da barragem do sofrimento, mas sem evitar a inundação.

Encerro com Guimarães Rosa. O que ela, a vida, quer da gente é coragem.